sexta-feira, 23 de setembro de 2011

O DOM DE LÍNGUAS - Parte 3 - A distribuição dos dons



            A DISTRIBUIÇÃO DOS DONS

             É importante entendermos a distribuição dos dons e o propósito, para que assim possamos ter um melhor entendimento sobre o lugar das línguas, que também esta na lista dos dons, e o como deve ser usada.
            Segue abaixo a lista dos dons.

LISTA DOS DONS ESPÍRITUAIS
1 Coríntios
12.8-10
1 Coríntios
12.28-30
Romanos
12.6-8
Efésios
4.11
Palavra da Sabedoria



Palavra do conhecimento



Dons de curar
Dons de curar


Milagres
Milagres


Profecia
Profecia
Profecia
Profecia
Discernimento de espíritos
Discernimento de espíritos


Línguas
Línguas


Interpretação de Línguas




Apostolo

Apóstolo

Mestre
Ensino
Ensino (ou Pastores Mestres)


Ministério

Socorros
Exortação




Contribuição




Liderança



Misericórdia




Evangelistas



Pastores

 A         Eles são distribuídos de acordo com a vontade do Espírito

“mas um só e o mesmo Espírito realiza todas estas coisas, distribuindo-as, como lhe apraz, a cada um, individualmente […] Mas Deus dispôs os membros, colocando cada um deles no corpo, como lhe aprouve”. (I Co 12.11)

            O Espírito Santo distribui os dons como ele quer, e temos que ter em mente que o Espírito Santo é uma pessoa, a terceira pessoa da trindade, quanto a isso o Dr. Augustus Nicodemus diz:

“...muitos nos dias de hoje tem o Espírito Santo como se fosse uma espécie de gás celestial, que desce do céu e enche as pessoas ou um determinado ambiente; ou ainda um liquido divino, que é derramado sobre as almas, vistas como uma espécie de recipiente vazio. Outros tratam o Espírito Santo como se fosse um vento e chegam ao ponto de se apresentarem como sendo capazes de “soprar” o Espírito Santo, ou de lança-lo sobre outros. E, também, outros tratam o Espírito como se fosse uma espécie de energia celestial, como uma corrente elétrica[1].

            A pessoalidade do Espírito Santo tem sido deixada de lado, e inconscientemente muitos têm tratado o Espírito Santo como uma espécie de força ou uma coisa sobre o qual nos temos controle.
            O Espírito Santo sendo Deus e uma pessoa, é Ele quem decide que dom teremos “como lhe aprouve”, e não nós decidimos e buscamos, como os que buscam o dom de línguas.


B         Eles são distribuídos para todos os crentes visando à edificação do mesmo
           
Os dons são distribuídos a todos os crentes visando um fim proveito, a edificação do corpo, ou seja, a Igreja. E se imaginarmos um corpo, ele é dividido por membros, como: braços, pernas, pescoços, dedos, etc... e neste corpo cada membro tem que estar bem encaixado no seu lugar e funcionando bem para o seu andamento, ninguém nasce com três pernas ou quatro braços, isto seria uma aberração, ou uma perna não vai querer se tornar braço, mas todos têm que estar no seu devido lugar. Da mesma forma é o corpo de Cristo, o Espírito Santo conforme sua vontade, como vimos acima distribui dons para o corpo como ele quer, aonde ele quer e distribui para todos os crentes.
           
            “Servi uns aos outros, cada um conforme o dom que recebeu, como bons despenseiros da multiforme graça de Deus”. I Pe 4.10
            “Quero que todos os homens sejam tais como também eu sou; no entanto, cada um tem de Deus o seu próprio dom; um, na verdade, de um modo; outro, de outro”. I Co 7.7
                       
Não podemos deixar de notar que os propósitos dos dons é a edificação do corpo e Paulo falando a Igreja de Corinto, tratando sobre línguas e profecia, cita várias vezes, que o propósito dos dons é a Igreja e a edificação no culto.

Assim, também vós, visto que desejais dons espirituais, procurai progredir, para a edificação da igreja”. I Co 14.12
Que fazer, pois, irmãos? Quando vos reunis, um tem salmo, outro, doutrina, este traz revelação, aquele, outra língua, e ainda outro, interpretação. Seja tudo feito para edificação”. I Co 14.26

            Embora todos os crentes tenham um dom(s), nenhum tem todos os dons (I Co 12.14-21, 28-31).
Embora nem todos os dons sejam notados, todos são igualmente importantes (12.12-26) para o bom funcionamento do corpo.



[1] LOPES, Augustus Nicodemus. Cheios do Espírito. São Paulo: Editora Vida, 2007, p. 21.

terça-feira, 20 de setembro de 2011

O DOM DE LÍNGUAS - Parte 2 - O pentecoste, O Batismo pelo/no Espírito Santo

1          O PENTECOSTE (VINDA DO ESPÍRITO SANTO)


Quando estudamos o Novo Testamento vemos que Jesus prometeu que enviaria o Espírito Santo (Jo 14.26; 15.26; At 1.5), como cumprimento de várias profecias no Antigo Testamento de quando o Espírito Santo viria de modo mais pleno, um tempo em que Deus faria uma nova aliança com seu povo. (Jr 31.31-34; Ez 36.26,27; 37.14; Jl 2.28-32).
Na última vez que Jesus disse sobre a vinda do Espírito Santo, ele disse que os discípulos receberiam poder para serem suas testemunhas, tanto em Jerusalém, como em toda Judéia, Samaria e confins da terra, quando eles recebessem o Espírito Santo.

            “mas recebereis poder, ao descer sobre vós o Espírito Santo, e sereis minhas testemunhas tanto em Jerusalém como em toda a Judéia e Samaria e até aos confins da terra”. (At 1.8)

            Em Atos vemos NÃO apenas um Pentecoste (descido do Espírito Santo), mas quatro Pentecostes (vindas do Espírito Santo) acontecendo em cada um dos povos que Jesus havia dito para que os discípulos fossem.

JERUSALÉM/JUDEIA
SAMARIA
CONFINS DA TERRA
Gentios
CONFINS DA TERRA
(discípulos de João)
Atos 2.1-4
Atos 8.14-17
Atos 10.44-46
Atos 19.1-7
Houve línguas
Não houve línguas
Houve línguas
Houve línguas

           

Em Atos 19.1-7 repete o batismo com línguas sobre os gentios, era um grupo de discípulos de João Batista na cidade de Éfeso.
Temos que entender que é um momento singular e um grupo singular. Eram crentes que, no entanto ainda aguardavam o Messias prometido (v. 4). Eles ainda não haviam recebido o evangelho na sua plenitude. Olhemos para o texto.

      perguntou-lhes: Recebestes, porventura, o Espírito Santo quando crestes? Ao que lhe responderam: Pelo contrário, nem mesmo ouvimos que existe o Espírito Santo. Então, Paulo perguntou: Em que, pois, fostes batizados? Responderam: No batismo de João. Disse-lhes Paulo: João realizou batismo de arrependimento, dizendo ao povo que cresse naquele que vinha depois dele, a saber, em Jesus”. (grifo meu)

            A necessidade de línguas neste contexto leva em conta a comprovação que deveria ser dado a um grupo singular de que a expectativa da vinda do Messias e da realização de sua obra já haviam se cumprido, e mais na frente quando Paulo escreveu ao grupo, ele afirma que o batismo com o Espírito Santo se dava no momento da conversão (Ef 1.13).

em quem também vós, depois que ouvistes a palavra da verdade, o evangelho da vossa salvação, tendo nele também crido, fostes selados com o Santo Espírito da promessa”.

            Com respeito a estes pentecostes R.C Sproul diz:

            Os primeiros crentes não acreditavam que os samaritanos, os prosélitos e os discípulos de João Batista pudessem ser cristãos. Desta maneira, o batismo do Espírito Santo serviu como confirmação de sua membresia na Igreja. Visto que cada um desses grupos experimentou o batismo do Espírito Santo da mesma maneira que os judeus experimentaram no Pentecostes, a inclusão deles na Igreja era inquestionável. O próprio Pedro foi o primeiro a experimentar isso. Quando viu o Espírito Santo descer sobe os gentios tementes a Deus na casa de Cornélio, ele concluiu que não havia nada que impedisse que fossem aceitos plenamente como membros da Igreja. Pedro disse: "Pode alguém porventura recusar a água, para que não sejam batizados estes, que também receberam como nós o Espírito Santo?" (At 10.47)[1].

Isso mostrou a unidade da Igreja, rompendo o exclusivismo judaico, pois em Cristo a barreira que existia foi derrubada (Ef 2.11-22), o Espírito Santo veio para todos que cressem em Jesus.
                Algo importante é que em todas as manifestações de línguas em Atos, havia algum apostolo testificando a manifestação do Espírito nos que o recebiam, desde Jerusalém até os confins da terra.
            A Palavra de Deus também mostra um dois enchimentos do Espírito Santo em que não há manifestação de línguas.
O primeiro foi em Atos 4 quando os primeiro cristãos estavam sendo perseguidos e pedem capacitação para anunciarem o a Palavra de Deus corajosamente, o resultado foi que todos ficaram cheios do Espírito Santo, e todos anunciaram a Palavra de Deus corajosamente, mas não há qualquer evidência de línguas.
O segundo acontece em Atos em Atos 9.14-19, quando Ananias recebeu a ordem do Senhor para ir Até Saulo, e quando ele impôs as mãos sobre o futuro Apostolo, ele recebeu a visão outra vez e ficou cheio do Espírito Santo, e o texto nos mostra claramente que Paulo não falou em línguas e sim, que foi batizado em seguida alimentou-se.


2          O BATISMO PELO/NO ESPÍRITO SANTO

            Outra grande confusão que tem havido, tem sido a respeito do batismo pelo/no Espírito Santo, já que os pentecostais crêem que existe “o batismo do Espírito Santo” que ocorre na conversão e o “batismo com o Espírito Santo” que deve ser buscado após a conversão, sendo uma “segunda benção”.
A revista “lições Bíblicas” terceiro trimestre de 2006 da Assembléia de Deus diz:
“batismo com o Espírito Santo é um revestimento de poder, com a evidência física inicial das línguas estranhas para o ingresso do crente numa vida de profunda adoração e eficiente serviço a Deus”.
Porém, esta diferença entre o batismo do/no Espírito Santo não existe na Bíblia.
            Temos que entender que em Atos a descida do Espírito Santo era uma transição entre o Antigo e o Novo Testamento, já que agora o Espírito Santo habitaria e selaria cada crente (Ef 1.13).
                E esta descida do Espírito Santos como já vimos, foi sobre diferentes povos e grupos quebrando o exclusivismo judaico e habitando em cada crente, como a promessa que Jesus havia dito que ele viria e habitaria. (Jo 14.17).
            Nos dias de hoje, o Espírito Santo batiza cada cristão no momento da conversão, o apostolo Paulo falando para a Igreja de Éfeso, (igreja a qual foi batizada no Espírito Santo em Atos 19.1-7 e que falara em língua na hora do batismo) a respeito do batismo com o Espírito Santo, afirma ser o batismo e selo no momento da conversão.

            “em quem também vós, depois que ouvistes a palavra da verdade, o evangelho da vossa salvação, tendo nele também crido, fostes selados com o Santo Espírito da promessa” Ef 1.13

            Observe que para aquele grupo singular de gentios discípulos de João Batista, o batismo no Espírito Santo havia ocorrido, porque eles ainda não haviam ouvido falar sobre o Espírito Santo e sobre a obra completa de Cristo, e haviam sido apenas batizados no batismo de João (At 191-7), mas Paulo agora escrevendo para a Igreja já formada, afirmando que o batismo é no momento da conversão juntamente com o selo.
            Paulo não disse para buscarmos o batismo no Espírito Santo como os pentecostais ensinam, através de alguns passos como: 1. Crendo na promessa divina do batismo, 2. buscando com sede em oração, 3. Adorando a Deus com perseverança, 4.. Perseverando em unidade fraternal, 5. vivendo em obediência a vontade do Senhor[2].
            Com certeza devemos ter uma vida intensa de oração, adorarmos a Deus com perseverança, perseverarmos na unidade fraternal e vivermos em obediência a vontade de Deus, porém isto tudo junto com o estudo fiel da Palavra, resulta em plenitude do Espírito e não no batismo do Espírito Santo com línguas como evidencia.
Paulo nos fala que a lei (obra) é incapaz de produzir o batismo no Espírito Santo, é somente pela fé.

            “Quero apenas saber isto de vós: recebestes o Espírito pelas obras da lei ou pela pregação da fé?” (Gl 3.2)

            O Espírito Santo é recebido pela fé no momento da conversão, como lemos em Efésios 1.13.
Além do mais, o dom de línguas não é sinal de batismo com o Espírito Santo e as evidências bíblicas são claras
.
1.      Um grande exemplo que podemos ver é que em Atos 2 na descida do Espírito Santo, os discípulos falaram em outras línguas sim, porém nada é dito acerca dos quase 3.000 que se converteram na pregação de Pedro. E não devemos esquecer que o livro de Atos é um livro histórico, seus acontecimentos se dão dentro de um prazo de 31 anos, e acontecimentos com línguas ocorreram apenas três vezes.
2.      O Batismo com o Espírito Santo que ocorreu em Atos 8.14-17, não ocorreu à manifestação de línguas.
3.      Efésios 4.5 é claro em afirmar que há somente um batismo.
4.      Além do mais, no mesmo capítulo que Paulo diz para igreja de Corinto que:

"Pois em um só Espírito fomos todos nós batizados em um só corpo" 1 Co 12:13
 Ele logo em seguida pergunta:
Porventura são todos apóstolos? são todos profetas? são todos mestres? são todos operadores de milagres? Todos têm dons de curar? falam todos em línguas? interpretam todos?” 1 Co 12:30

A resposta a todas estas perguntas do versículo acima é não. Nem todo mundo é apóstolo, nem todo mundo é profeta, nem todo mundo é operador de milagres, nem todo mundo tem o dom de curar, nem todo mundo fala em línguas, nem todo mundo interpreta, mas todos foram batizados num só Espírito.

Até o próximo post


[1] SPROUL. R.C. Verdades Essenciais da Fé Cristã: Caderno 2. Editora Cultura Cristã, 2004. p.
[2] LIÇÕES BÍBLICAS. Jovens e adultos.3 trimestre de 2006. p. 20-21.

quinta-feira, 15 de setembro de 2011

O DOM DE LÍNGUAS - Parte 1

1          INTRODUÇÃO      


                 Tradicionalmente reconhece-se o início do movimento pentecostal no ano de 1901 quando Agnes Ozman uma aluna do Bethel Bible College (Escola Bíblica Betel) recebeu o que ela chamou de batismo do Espírito Santo e falou em línguas, porém seu ápice foi em 1906 em Los Angeles, nos Estados Unidos, na Rua Azuza, onde houve um grande avivamento caracterizado principalmente pelo "batismo com o Espírito Santo", evidenciado pelos dons do Espírito como, glossolalia (línguas), curas milagrosas, profecias, interpretação de línguas e discernimento de espíritos.
            No começo, as reuniões na Rua Azuza aconteciam informalmente, eram apenas alguns fiéis que se reuniam em um velho galpão para orar e compartilhar suas experiências, liderados por William Seymour (1870-1922).
Rapidamente, grupos semelhantes foram formados em muitos lugares dos EUA, mas com o rápido crescimento do movimento, o nível de organização também cresceu até o grupo se denominar Missão da Fé Apostólica da Rua Azuza.
           De lá para cá, muito rápido e de forma surpreendente tem sido o crescimento do movimento em todo o mundo.
No Brasil, o Pentecostalismo chegou em 1910 com Louis Francescon, um Italiano que havia emigrado para os Estados Unidos, e fundou aqui no Brasil a Igreja “Congregação Cristã no Brasil”, e em 1911 com os suecos que haviam imigrado para os Estados Unidos Daniel Berg e Gunnar Vingren, que iniciaram sua missão no Belém do Pará, dando origem à Igreja “Assembléia de Deus” a maior denominação pentecostal no Brasil.
De lá para cá várias Igreja pentecostais se instalaram no Brasil, entre ela: “Igreja do Evangelho Quadrangular” (1951), Igreja “O Brasil para Cristo” (1955), Igreja “Deus é amor” (1962), Além das Igrejas chamadas neopentecostais que têm crescido muito, tais como: “Igreja Universal do Reino de Deus” (1977), “Igreja Internacional da Graça de Deus” (1980), “Igreja Apostólica Renascer em Cristo” (1985), e tantas outras que vêm surgindo.
O crescimento do movimento no Brasil é muito notável, pois em 1930 os pentecostais eram apenas 9.5% dos protestantes brasileiros, em 1964 já eram 62,2%, em 1974 eram 76,2% e cerca de 87% em 1995[1]. Os pentecostais e hoje também os neopentecostais são a maioria, no cenário evangélico.
A principal ênfase do movimento pentecostal é o batismo com o Espírito Santo e o falar em línguas estranhas, é muito comum você entrar em uma Igreja pentecostal ou neopentecostal e ver pessoas orando em línguas.
Infelizmente este assunto tem divido o cenário evangélico, Igrejas chegam a ter separação por causa deste fenômeno.
Porém, o assunto é muito mais sério do que podemos pensar, se analisarmos, os pais da Igreja, os grandes teólogos da Igreja primitiva, os reformadores, como João Calvino, Martinho Lutero, os puritanos, Jonathan Edwards e durante quase dois mil anos de história da Igreja, não houve manifestação a não ser poucas vezes em grupos isolados que não sobreviveram:  John Mac’Arthur em seu livro os Carismáticos cita estes movimentos[2]:
*     Século II com Montanus que foi considerado herege, mencionou línguas e seu discípulo Tertuliano.
*     Século XVII na França com um grupo de sacerdotes chamados Cevenos e também foram tachados de hereges, porque suas profecias não se cumpriram e sua militância era desaprovada.
*     Século XVIII com os Jansenistas (sacerdotes católicos reformadores) que foram acusados de terem reuniões noturnas no tumulo de seu líder, onde supostamente ocorreram línguas extáticas,
*     Os Shakers, que eram hereges seguidores de Mãe Ana Lee, que viveu em 1736 a 1784, ela instituiu a pratica de homens e mulheres dançarem juntos, nus, enquanto falavam em línguas e dizia que relação sexual era corrupta, mesmo no casamento.
*     Em 1830 em Londres com os hereges Irvingitas, que tinha revelações que contradiziam a Bíblia, suas profecias não foram cumpridas e suas supostas curas foram seguidas de morte.
*     Somente em 1901 com Agnes Ozman na Escola Bíblica Betel de Topeka, kansas e mais forte em 1906 na Rua Azuza, é que o movimento se espalhou por todo o mundo”.``

“De Montanus até os Irvingitas, casos de línguas dentro da Igreja nunca foram considerados parte do cristianismo genuíno[3]”.
O que dizer então? Será que durante quase dois mil anos de Igreja ela errou, os grandes homens de Deus na história erraram em não buscar o batismo com o Espírito Santo e o falar em línguas?
Se línguas realmente existem, então, qual é o padrão bíblico sobre o dom de línguas? Quais línguas realmente a Bíblia apresenta? Estas línguas eram angelicais ou humanas? Há necessidade de eu receber um batismo com o Espírito Santo e falar em línguas para evidenciar tal batismo? Todos os cristãos têm o dom de línguas?
São perguntas como esta que desejo tentar responder neste ensaio, porém quero deixar claro que não estou escrevendo para ofender denominação ou quem pensa de maneira diferente, mas meu desejo é fazer uma abordagem consistentemente bíblica sobre o assunto. E também quero deixar claro que nem por haver discordância com os pentecostais neste assunto não deixo de considerá-los como meus irmãos em Cristo, apesar da diferença de opinião.
Por isso gostaria de começar este ensaio explicando sobre o pentecoste (descida do Espírito Santo), depois em qual momento acontece o batismo com/no Espírito Santo, a distribuição dos dons e o propósito dos mesmos e por ultimo o dom de línguas e sua utilidade.

Davi Helon
Soli Deo glória


Até o próximo post


[1] SAYÃO, Luiz Alberto. Uma Avaliação Sociológica Do Pentecostalismo e do Neopentecostalismo Contemporâneo. São Paulo: Vox Scripturae. P. 83.
[2] MAC’ARTHUR, John. Os carismáticos. Editora Fiel. São José dos Campos: Editora Fiel, 2002. p. 163,164.
[3] Ibid. p. 164.

segunda-feira, 12 de setembro de 2011

GRAÇA SUFICIENTE


Então, ele me disse: A minha graça te basta, porque o poder se aperfeiçoa na fraqueza. De boa vontade, pois, mais me gloriarei nas fraquezas, para que sobre mim repouse o poder de Cristo”  2Corintios 12.9

O sonho de um homem era fazer um cruzeiro. Economizou dinheiro durante anos, até que finalmente conseguiu o suficiente para comprar uma passagem para o navio. Porém, sabendo que não tinha dinheiro para comprar a comida que estava no panfleto, pois parecia muito caro, ele planejou levar suas próprias provisões para semana. levando pão com creme de amendoim. Era só isso que ele podia comprar.
            Os primeiros dias no cruzeiro foram emocionantes, ele comia seus sanduíches de creme de amendoim sozinho em seu quarto e passava o resto do tempo curtindo a viagem no navio. Mas no meio da semana ele percebeu que era a única pessoa que não comia das comidas do navio, e sempre vendo as pessoas fazendo pedidos para os garçons. Ao quinto dia ele já não agüentava comer mais pão com creme de amendoim, os pães já estavam velhos e duros, então ele resolveu parar o garçom e perguntar:
            “Diga, como eu posso ter uma dessas refeições. Estou morrendo de vontade de comer uma comida descente; farei qualquer coisa para pagar”.
            “Mas o Senhor não tem uma passagem para este cruzeiro” perguntou o garçom.
            “Certamente” respondeu o homem.
            “Mas o senhor” disse o garçom “O senhor não sabia? As refeições estão incluídas na sua passagem. O Senhor pode comer o quanto quiser”.
            Muitos Cristãos são como este homem. Não sabendo das ilimitadas provisões da graça de Cristo, comem migalhas velhas.
            Tudo o que necessitamos para viver o Senhor Jesus já pagou por nós, não precisamos correr atrás de outros recursos espirituais.
            E em 2 Cor 12.9 o Senhor disse para Paulo uma das verdades mais profundas de toda a revelação “A minha graça te basta”.
            Paulo aprendeu algumas lições sobre a suficiência da graça em sua vida: uma foi a humildade, pois para ele não se ensoberbecer é que foi lhe dado o espinho, outra é que a Graça de Deus é toda suficiente para nossas vidas, pois por três vezes Paulo pede para que o Senhor retire e a resposta foi “minha graça te basta”. Paulo ficou contente com a resposta de Deus, porque sabia que Deus iria suprir graça suficiente para sua provação e também lhe fornecer forças para suportá-la.“Pois o meu poder se aperfeiçoa na fraqueza”.
            O mais interessante é que a resposta do Senhor não gerou frustração em Paulo e sim alegria. “Pelo que sinto prazer nas fraquezas, nas injúrias, nas necessidades, nas perseguições, nas angústias, por amor de Cristo. Porque, quando sou fraco, então, é que sou forte.
            A Graça de Deus é maravilhosa em nossas vidas, e além da grandiosa salvação que nos foi dado através dela, também recebemos graça suficiente para viver.

Vejam o vídeo abaixo.


       

Davi Helon

Oração: Senhor, muito obrigado pela sua graça que é tão maravilhosa em minha vida e te peço que o Senhor me ensine a descansar na suficiência dela. Em nome de Jesus, amém.

domingo, 4 de setembro de 2011

DESABAFO DE UM PASTOR



                Venho pensando nos últimos dias sobre a igreja de cristo, venho meditando em como estamos e  para onde vamos. Tenho pensando na vida dos crentes atuais aqui do Brasil, como eles têm vivido e em como estão comprometidos com Deus e sua Palavra. Confesso que sinto vergonha. NÃO QUERO COM ISTO DIZER QUE SOU MELHOR QUE NINGUÉM, mas quero aqui colocar meu desabafo.
                FICO TRISTE em ver crentes que não se comprometem mais, crentes que são apenas crentes domingueiros, vão a igreja no domingo para ouvirem uma mensagem que toque seus corações, e caso escutem uma mensagem de exortação e compromisso, eles se endurecem e se possível não voltam mais, vão procurar outra igreja e assim ficam pulando de igreja em igreja, pois querem uma igreja e um pastor que os satisfaçam.
FICO TRISTE com crentes que vivem de ouvir o Malafaia e outros tele-evangelistas e quando descordam do seu pastor, ainda levam fitas/DVD dos pastores para que o pastor ouça. Temos vivido em uma sociedade Pós-moderna em que o homem cada dia esta mais voltado para si, onde o individualismo é grande, onde o homem só pensa em si, e se a igreja não tem um retorno para sua vida, ele sai, homens e mulheres que na igreja só querem ser paparicados e servidos e não querem servir, pois não têm tempo.
FICO TRISTE em ver que Cristo não é mais suficiente para muitos dos crentes, que Cristo não mais os alegra, e sim o dinheiro, o trabalho, o sexo, o eletrônico. E o resultado são crentes que gastam e gastam e na hora de se comprometerem, não tem tempo, pois precisam descansar, pois trabalham muito para pagar as contas, ou se é o dizimo não tem dinheiro, pois a contas são muitas, mas ainda dizem, “Se no próximo mês sobrar eu dou dizimo”.
                FICO TRISTE em ver as escolas dominicais vazias, e não quero aceitar, NÃO, NÃO VOU ACEITAR, como já ouvi e lideres de igreja que a Escola Dominical é uma instituição falida, creio que podemos ter novos modelos, mas ai encontramos pessoas que não querem que jamais se mexa no horário e no modo de se fazer Escola Dominical porque sempre fizemos assim, é a nossa tradição. Em nome da Tradição Igrejas estão morrendo. (Quando digo tradição não estou falando de doutrina e sim costumes).
                FICO TRISTE em ver as lutas que temos nos dias de hoje, temos que competir com TV (novelas, jogos, filmes), internet, tempo de descanso, a igreja tem que enfrentar tudo isso. Como Igreja temos que modernizar sim e andarmos de acordo com os nossos tempos, mas pergunto outra vez, onde esta a suficiência de Cristo, nos alegramos mais em todas estas coisas do que em Cristo. Pessoas se alegram mais em frente da TV, Internet do que nas programações da Igreja.
FICO TRISTE porque os tempos de oração da igreja, tem sido tão difícil para os irmãos, nós cristãos precisamos de oração, não vivemos sem ela, tenho visto crentes reclamando de tantas coisas na vida, (dinheiro, casamento, trabalho, filhos), mas na hora de irem a igreja, ou se reunirem com irmãos para orarem, não tem tempo, não querem, têm preguiça, preferem a novela e a vida não muda, continua na mesma.
FICO TRISTE em ver igreja inchadas. Confesso que não sou contra novas técnicas para a igreja,  como, igreja em células ou grupos pequenos (Como você prefere), Igreja com propósito, Rede ministerial, quantas técnicas existem tentando fazer com que a igreja cresça, mas o que temos visto cada dia mais são igreja cheias, mas prefiro dizer, igreja inchadas. E muitos acham que isto é avivamento.
Deus não unge métodos, unge pessoas, creio que todos estes métodos, são métodos que, se homens forem ungidos pelo Espírito Santo e não negociarem a Palavra, têm resultados. Mas infelizmente, o pragmatismo tem entrado na igreja, os fins não justificam os meios, e assim comprometem a verdade para que as igrejas cresçam. PRECISAMOS URGENTEMENTE DE HOMENS QUE PRESERVEM A PALAVRA, QUE AMEM A DEUS, QUE SEJAM CHEIOS DO ESPÍRITO SANTO.
A suma de tudo é; Precisamos de um avivamento. Não avivamentos de línguas, curas e profecias (pois alguns só pensam assim), mas avivamento de comprometimento, avivamento de vida, de convicção de pecado e arrependimento. Oh Senhor, aviva, aviva a sua Igreja!

Pr. Davi Helon de Andrade


           

quinta-feira, 1 de setembro de 2011

O BATISMO INFANTIL É BÍBLICO?

Davi Helon de Andrade

           Sempre ouvi, “O Batismo Infantil é católico e é errado, e os evangélicos devem batizar somente os que crêem, pois batizar crianças é errado é não tem base bíblica”. Ou, “Os evangélicos que batizam crianças são iguais aos católicos, logo estão errados”.
            Sempre me intrigou em ver grandes teólogos que muitos dos evangélicos gostam de ler e estudar, os admiram muito, mas são homens que aceitam o Pedobatismo (batismo infantil), posso citar alguns deles aqui: João Calvino, Jonathan Edwards, Charles Hodge, Louis Berkhof, Antony Hoekema, Willian Hendriksen, Leon Morris, R.C. Sproul, John Stott, Augustus Nicodemus, Heber Campos, Hernandes Dias Lopes e tantos outros.
            Creio que o Batismo infantil é muito questionado no meio evangélico, devido a desvios do seu real significado e um mau entendimento do que ele significa.
            Por isso, eu gostara que juntos nós víssemos uma visão bíblica e reformada do Batismo Infantil.