sexta-feira, 21 de outubro de 2011

UMA BENÇÃO CHAMADA SOFRIMENTO - Jó 42.1-6

                      "Eu te conhecia só de ouvir, mas agora os meus olhos te vêem". Jó 42.5

Foi concebido ao Dr. Paul Brand uma enorme verba para estudar sobre a dor, e ele diz “Devemos ser agradecidos pela invenção da dor, Deus fez o melhor. É maravilhoso”, pois “se um órgão tem a necessidade de informar o cérebro da existência de um perigo, ele avisa com a dor”. Um grande exemplo é se alguém tem uma pedrinha no rim, a dor avisa que algo esta errado. Ela é uma estrutura de comunicação.

A dor portando não é um grande erro de Deus, é uma dádiva que ninguém deseja. O mal necessário. Sem ela nossas vidas estariam em perigo e prestes a sofrer decadência.

quarta-feira, 19 de outubro de 2011

O DOM DE LÍNGUAS - Parte 8 - I Coríntios 14.20-25

 Davi Helon de Andrade



3          AS LÍNGUAS SÃO SINAL PARA OS INCRÉDULOS E NÃO PARA OS CRISTÃOS (20-25)

            “Irmãos, não sejais meninos no juízo; na malícia, sim, sede crianças; quanto ao juízo, sede homens amadurecidos Na lei está escrito: Falarei a este povo por homens de outras línguas e por lábios de outros povos, e nem assim me ouvirão, diz o Senhor. De sorte que as línguas constituem um sinal não para os crentes, mas para os incrédulos; mas a profecia não é para os incrédulos, e sim para os que crêem.”.


A         Paulo exorta os de Corinto a se tornarem maduros. (14.20).

            Talvez este seja o ponto central do capítulo, Paulo deixa claro que o propósito das línguas é ser um sinal para incrédulo.
            Ele começa exortando os crentes de Corinto a não serem meninos, pois, assim como criancinhas gostam de exibir seus brinquedinhos, assim os crentes de Corinto gostavam de exibir os dons espirituais, por motivos de ostentação.
            Paulo os exorta a se tornarem maduros, a terem uma capacidade intelectual amadurecida, pois uma criança não tem seu intelecto amadurecido.


sábado, 15 de outubro de 2011

O DOM DE LÍNGUAS - Parte 7 - I Coríntios 14.6-19

Davi Helon de Andrade


2          LINGUAS SÃO INUTEIS SE NÃO TIVEREM INTERPRETAÇÃO (I Co 14.6-19)


Paulo também dizia que não havia proveito algum ele falar em línguas enquanto estivesse com a Igreja de Corinto.

Agora, porém, irmãos, se eu for ter convosco falando em outras línguas, em que vos aproveitarei, se vos não falar por meio de revelação, ou de ciência, ou de profecia, ou de doutrina?” I Co 14.6.

            O critério de Paulo continua na edificação, pois a inferioridade das línguas é manifesta, pois este dom não da dá proveito aos ouvintes. Mas os que dão proveito são: revelação, ciência, profecia e doutrinamento. Todos estes estão ligados à inteligência e não algo extático (14.29,31-33).

A         Línguas na Igreja sem interprete é como um instrumento tocado sem notas (7-9a)

Paulo usa a ilustração de um instrumento musical para dizer a respeito do dom de língua:

Da mesma sorte, se as coisas inanimadas que fazem som, seja flauta, seja cítara, não formarem sons distintos, como se conhecerá o que se toca com a flauta ou com a cítara? Porque, se a trombeta der sonido incerto, quem se preparará para a batalha?” I Co 14.7-8

Assim como o instrumento musical nada transmite aos seus ouvintes a menos que seja tocado com um propósito inteligente, assim é falar em língua na Igreja, Paulo, o Apostolo dos gentios diz que não há proveito, se a língua não disser palavras compreensíveis.

terça-feira, 11 de outubro de 2011

O DOM DE LÍNGUAS - Parte 6 - I Coríntios 14.1-5


Davi Helon de Andrade


         O DOM DE PROFECIA É SUPERIOR AO DE LÍNGUAS (I Co 14.1-5)

Paulo trata nestes cinco primeiro versículos sobre a superioridade da profecia sobre o dom de línguas, porém continuando o assunto do capitulo anterior, sobre o amor, os dons têm que ser procurados seguidos pelo amor, senão eles não tem valor algum (13.1-3). Pois os dons passarão, mas o amor jamais acaba (13.8).

A         A importância do amor

O verbo seguir (14.1) “diw,ketediokete que é um imperativo, presente ativo[1], é uma ordem que expressa “uma ação que não termina nunca[2]”.
O amor deve ser ação continua em nossa vida, é uma ordem, e os dons vêm em seguida dele, pois sem o amor, os dons não têm valor algum.
Temos que sempre lembrar que o propósito dos dons, sempre é a edificação do corpo, já que o verdadeiro amor não busca os seus interesses (13.5), mas os tais que se diziam espirituais em Corinto estavam buscando a edificação deles próprio e não a da Igreja toda quando oravam em línguas sozinhos.

B         A superioridade da profecia

Como eles estavam edificando a si próprios e não a Igreja, e não sendo com amor visando o todo, Paulo argumenta dizendo:

Pois quem fala em outra língua não fala a homens, senão a Deus, visto que ninguém o entende, e em espírito fala mistérios. Mas o que profetiza fala aos homens, edificando, exortando e consolando. O que fala em outra língua a si mesmo se edifica, mas o que profetiza edifica a igreja”. 2-4
           
            Algo temos que explicar aqui
            Como já vimos o texto no original não fala línguas “estranhas” como à tradução para o português que a Bíblia “Almeida Revista e Corrigida” coloca, nem mesmo a palavra “outra” encontra-se no original.
            Vejamos o versículo no original:
           
ga.r lalw/n glw,ssh| ouvk avnqrw,poij lalei/ avlla. qew/|\ ouvdei.j ga.r avkou,ei( pneu,mati de. lalei/ musth,ria\ (grifo meu)

            A palavra estranho em grego é avllotri,wn”, observem que não existe.
            A palavra outra em grego é  a;lloj”, observem que ela não existe no original.
O correto seria:

            O que fala em/numa língua não fala a homens...
           
            Paulo então diz que:
Aquele que fala numa língua, fala com Deus, não é entendido pela Igreja, pois fala em mistério e a si mesmo se edifica.
Paulo esta dizendo aqui que a aplicação do dom esta sendo de maneira errada, pois, esta edificando a si próprio e não a Igreja, sendo que o propósito dos dons é a edificação do corpo, é por isto que o apostolo pede para que sigamos o amor no versículo um, pois o amor lança fora os nossos interesses.
Paulo diz que aquele que ora em língua a si mesmo se edifica e não o corpo como dever ser.
Porém, aquele que profetiza fala a Igreja, edifica a Igreja, visando o propósito dos dons, que é a edificação da Igreja.
Paulo aqui esta batendo no principio básico da edificação da Igreja, por isso a profecia deve ser mais desejável que as línguas, pois a profecia é falada na língua materna dos ouvintes. É falada de um jeito que todos na congregação entendam, a profecia edifica exorta e consola.
Paulo deixa claro que o entendimento é necessário para a edificação da Igreja (14.5), pois se houver línguas, tem que haver interprete para que a igreja seja edificada.


C         E quanto ao orar em línguas em particular?  (14.4)

Será que na mente de Paulo, ele esta ensinando a todos que têm o dom a orarem em particular?
A resposta é não. Paulo não esta ensinando neste contexto a oração em língua em particular para a edificação no seu tempo devocional, mas que quando alguém esta na Igreja orando em línguas sem interprete, somente Deus entende e o povo não, sendo que o foco é a edificação do corpo, se também lermos todo o contexto desde o capítulo 11 até o 14 vemos que Paulo esta falando da igreja reunida.


D         Que tipo de profecias são estas?

Temos que entender que aqui o apostolo não esta defendendo profecias no sentido de um crente receber uma mensagem direta de Deus e transmitir a outros.  Hoje não há mais profetas no sentido daqueles profetas primeiros, que se tornaram o fundamento da igreja (Ef 2:20), ou seja, instrumentos da revelação divina. O cânon da Escritura já está fechado.
O dom de profecia é expor a verdade revelada de Deus conforme está registrada nas Sagradas Escrituras. Pois o próprio apostolo escrevendo para Timóteo mais tarde fala da suficiência das Escrituras:

Toda a Escritura é inspirada por Deus e útil para o ensino, para a repreensão, para a correção, para a educação na justiça”.

      Até o próximo post
            


[1] O tempo presente no grego expressa  um aspecto durativo.
[2] MORRIS, Leon. I Coríntios. Introdução e comentário. São Paulo. Mundo Cristão, 1983. p. 153.

segunda-feira, 3 de outubro de 2011

COMO EDUCAR SEUS FILHOS SEGUNDO A BÍBLIA


Este não é um livro sobre psicologia infantil. É diferente das propostas pragmáticas que receitam fórmulas prontas para a educação dos filhos e a vida familiar. O autor não propõe um novo método. Seu objetivo é apresentar os princípios bíblicos sobre a educação da forma mais clara possível e ajudar a tornar claros os deveres de pais e mães conscientes de suas responsabilidades perante Deus. Poderão evitar as tendências que a sociedade secular apresenta e educar seus filhos no caminho que honre a Cristo, em qualquer cultura e sob quaisquer circunstâncias.
"Estou convencido de que, entendendo e aplicando os princípios simples e diretos que as Escrituras apresentam, pais e mães cristãos poderão passar ao largo das tendências da sociedade secular e educar seus filhos de um modo que honre a Cristo, em qualquer cultura e sob quaisquer circunstâncias."
John MacArthur
John MacArthur, Jr. é conhecido por suas exposições da Palavra de Deus e por sua preocupação em dirigir o ensino da Escritura aos problemas que o povo de Deus enfrenta hoje. Sua dedicação a restaurar a teologia bíblica em nossos dias lhe conquistou o respeito dos líderes e dos crentes em geral.

sexta-feira, 30 de setembro de 2011

O DOM DE LÍNGUAS - Parte 5 - I Coríntios 14, Introdução


Davi Helon de Andrade


O objetivo aqui é poder mostrar o contexto da carta, como estavam sendo faladas a línguas na Igreja de Corinto e a correção de Paulo.

CONTEXTO DA CARTA

Paulo esclarece em 16.8, que escreveu esta carta quando estava em Éfeso durante sua terceira viagem missionária (53-57 d.C). Tendo em vista que o apostolo ficou em Éfeso por mais de dois anos (At 19.8,10), I Coríntios foi escrito em torno de 55 d.C[1].
Paulo visava responder a alguns problemas específicos da Igreja, (1.11; 5.1; 11.18).
As respostas de Paulo aparecem ao longo da carta pelo: Peri. de.  “a cerca de” ou “a respeito de”, pelo menos seis vezes. (7.1 casamento; 7.25 celibato; 8.1 carne oferecida a ídolos; 12.1 dons ou espirituais; 16.1 coletas aos pobres; 16.12 sobre Apolo).
Provavelmente além dos avisos que ele recebeu dos da casa de Cloé sobre as divisões na Igreja (1.11), um grupo de dissidentes também escreveu uma carta (7.1) informando os problemas para Paulo, pois eles estavam inconformados com a arrogância dos que se diziam espirituais (12.1).
Para alguns da Igreja de Corinto a espiritualidade estava mais ligada a alguns tipos de dons do que com a santidade.
Quem eram estes?
Alguns que se achavam os “espirituais”. Vemos alguns indícios na carta sobre ele:

Eu, porém, irmãos, não vos pude falar como a espirituais, e sim como a carnais, como a crianças em Cristo”. I Co 3.1

Paulo pede que estes prováveis dissidentes não sejam ignorantes quanto “aos espirituais”.

            A respeito dos dons espirituais, não quero, irmãos, que sejais ignorantes”. (12.1)

Ao observarmos este versículo no original grego, não existe a Palavra “dom”:
Versículo em grego:

Peri. de. tw/n pneumatikw/n( avdelfoi,( ouv qe,lw u`ma/j avgnoei/na

A palavra usada para dom éca,risma Charisma observem que não existe esta palavra no original.
Desta forma o versículo seria assim:

            A respeito dos espirituais, não quero, irmãos, que sejais ignorantes”.

Se seguirmos a lógica do texto, veremos que ele esta falando não dos dons, mas a respeito daqueles que dizem que são espirituais por causa do dom, e em seus êxtases e transes, até maldições lançaram contra Jesus.

Por isso, vos faço compreender que ninguém que fala pelo Espírito de Deus afirma: Anátema, Jesus! Por outro lado, ninguém pode dizer: Senhor Jesus!, senão pelo Espírito Santo”. 12.3.

Paulo em 14.37 também faz menção destes que se dizem espirituais:

Se alguém se considera profeta ou espiritual, reconheça ser mandamento do Senhor o que vos escrevo”.

Ele pede para que os que se dizem espirituais juntamente com os que se dizem profeta, se submetam a palavra dele, que é palavra apostólica, mandamento de Cristo, escrito e inspirado.
Estes espirituais em Corinto, provavelmente são aqueles que supervalorizavam o falar em línguas.
E este falar em línguas supervalorizado, pode ter sido influencia do paganismo greco-romano na Igreja de Corinto:
            John Mac’Arthur Jr diz:

“o mundo greco-romano tinha vários deuses, e em suas adorações a estes deuses, era muito comum uma pessoa entrar em êxtase, que literalmente significa “sair de você mesmo”. Eles entravam em um estado de inconsciência onde todos os tipos de fenômenos psicológico acontecia. Eles acreditavam que quando eles estavam em um transe estático, eles deixavam seus corpos, ascendiam no espaço, conectavam com a deidade que eram adorados e podiam se comunicar com estes deuses. Uma vez que eles se comunicavam com os deuses, eles podiam começar a falar a língua dos deuses.[2]

Este tipo de “espiritualidade” estava infiltrando na Igreja de Corinto, e os que falavam em língua achavam que tinha uma comunicação maior com Deus e uma espiritualidade maior, porém, provavelmente alguns destes que estavam entrando em “transe,” chegavam até a dizer blasfemais com respeito a Jesus:

Por isso, vos faço compreender que ninguém que fala pelo Espírito de Deus afirma: Anátema, Jesus! Por outro lado, ninguém pode dizer: Senhor Jesus!, senão pelo Espírito Santo”. (12.2)

Paulo estava preocupado com as inquietantes irregularidades na conduta dos crentes de Corinto e com a tendência da parte de alguns membros de tornar a ruptura com a sociedade pagã tão indefinida quanto possível... A igreja estava no mundo, como tinha de estar, mas o mundo estava na Igreja, como não devia estar. Exemplo do mundo estar dentro da Igreja é que alguns irmãos estavam tanto valorizando alguns dons que a santidade tinha sido deixado de lado, aponto que a igreja estava com problemas de divisão, moral e doutrinário.       
            Paulo precisava colocar ordem na Igreja e por isto escreveu esta carta.
            Leon Morris explica de maneira clara o propósito de Paulo ao Escrever esta carta:

            “O propósito de Paulo, então em escrever esta epistola, é primeiramente endireitar desordens que os Coríntios encaravam superficialmente, mas que ele considerava graves pecados. Em segundo lugar escreveu para responder questões que lhe levantaram. Em terceiro lugar escreveu para ministrar algum ensino doutrinário, particularmente sobre a ressurreição[3]”.
           
Com respeito às línguas, qual foi à resposta de Paulo?

            Até o próximo post


[1] Bíblia de Estudo de Genebra. São Paulo e Barueri, Cultura Cristã e Sociedade Bíblica do Brasil, 1999. p. 1345.
 [2] Ver. MAC’ARTHUR, John. Speaking in tongues. The truth about the tongues. Part 1. www.biblebb.com/files/MAC/sg1871.htm
[3] MORRIS, Leon. I Coríntios. Introdução e comentário. São Paulo. Mundo Cristão, 1983. p. 21.

segunda-feira, 26 de setembro de 2011

O DOM DE LÍNGUAS - Parte 4 - A natureza das Línguas


Davi Helon de Andrade


O que significa a palavra línguas ou idiomas? O que realmente era falando quando o Espírito Santo capacitava os crentes a falarem em línguas? Qual era a natureza destas línguas, terrenas ou celestiais (angelicais)?
Que tipo de língua tem sido falada nas Igrejas de hoje?

John Mac’Arthur alista algumas hipóteses[1].

1.      Podem ser satânicas ou demoníacas, pela própria experiência digo isto (eu Davi o autor), pois já expulsei demônio de uma menina de 15 anos e o demônio ficava falando em línguas na minha frente. Além do mais, “Atualmente religiões como o Espiritismo apresentam fenômenos semelhantes, incluindo manifestações de Xenoglossia. Fenômenos de glossolalia são observados também no xamanismo, no vodu haitiano, em alguns grupos judaicos hassídicos e entre os sufi muçulmanos[2]”.

2.      As línguas podem ser aprendidas, pois é muito fácil alguém que se diz ser batizado no Espírito Santo copiar as palavras que outros estão dizendo na oração, se prestarmos atenção veremos que muitas pessoas falam em línguas iguais umas as outras.

3.      As línguas podem ser psicológicas. “As Pessoas que falam em línguas entram num automotismo motor, clinicamente descrito como um desprendimento interior radical do ambiente consciente… As pessoas se desligam de tudo ao redor, entra em um estado em que não esta mais conscientemente no controle de si, e as línguas fluem facilmente.”[3]

Analisemos de forma mais profunda o que eram as línguas faladas na Bíblia.


A         A palavra língua/idioma

            Duas palavras são usadas para línguas no Novo Testamento:

*     glw/ssa = Glossa que significa, “língua”, “linguagem”, “fala”, “órgão físico de humanos e animais[4]” (At 2.3; 4, 11; 10.46; 19.6).
*     dia,lektoj = dialektos que significa, “idioma”, “dialeto”, “linguagem”, “expressão de fala[5]” (At 2.6, 8; 1 Co 12.10, 28, 30; 14.2).

O termo glossa quando usado com respeito ao discurso humano, sempre se refere ao falar idiomas humanos existentes, e quando não se refere aos idiomas falados, pode também se referir ao órgão corporal[6].
No antigo testamento grego (septuaginta) a palavra glossa aparece 30 vezes sempre se referindo aos idiomas reais ou como o órgão físico de seres humanos e animais (Ex 4.10).
Em Atos 2 glossa é usando intercambiavelmente com dialektos, significando também “língua ou idioma peculiar de um povo”, prova disso é que são listados quatorze nações em Atos 2.9,10:

Somos partos, medos, elamitas e os naturais da Mesopotâmia, Judéia, Capadócia, Ponto e Ásia, da Frígia, da Panfília, do Egito e das regiões da Líbia, nas imediações de Cirene, e romanos que aqui residem”,

Um grande problema que tem ocorrido é uma versão de Bíblia em português a “Almeida Revista e Corrigida”, que trás a palavra estranha em 1 Coríntios 14.2:

Porque o que fala língua estranha não fala aos homens, senão a Deus; porque ninguém o entende, e em espírito fala de mistérios”. (Grifo meu)

A Palavra estranha não existe no original grego:
Analisemos o versículo em grego:

ga.r lalw/n glw,ssh| ouvk avnqrw,poij lalei/ avlla. qew/|\ ouvdei.j ga.r avkou,ei( pneu,mati de. lalei/ musth,ria\ (Grifo meu)

Para que a tradução fosse “língua estranha” seria necessário à palavra estranho, “avllotri,wn” no grego entre as palavras grifadas no versículo acima, repare que ela não existe no original.

Então, a tradução correta seria:

Pois quem fala em língua, não fala a homens”.

A idéia de uma língua angelical ou estranha no sentido de que é incomum aqui na terra ou que não existe é descartada no Novo Testamento. As palavras glossa e dialektos trazem a idéia de línguas humanas.
Mas, Paulo não diz que falava a língua dos anjos?
Muito ao lerem a declaração de Paulo em 1 Corintios 13.1 dizem que as línguas que 1 Corintios ensina, são línguas angelicais.
Analisemos o texto.

Ainda que eu fale as línguas dos homens e dos anjos, se não tiver amor, serei como o bronze que soa ou como o címbalo que retine”.

Paulo em nenhum momento diz que falava as línguas dos anjos, Paulo aqui usou de uma hipérbole (exagero), para poder explicar a necessidade primordial do amor. Paulo usa o subjuntivo no grego para a palavra “fale” e normalmente quando se usa o subjuntivo no grego é para escrever uma situação improvável, hipotética e hipérbole e uma conjunção subordinada “Ainda”, dando a total idéia de hipérbole.
Paulo estava dizendo: “Suponha que eu falasse a línguas dos homens e dos anjos…”


B         Estas línguas louvavam a Deus

Outro ponto a entendermos é que a natureza das línguas manifestadas em Atos e Corinto eram de louvores a Deus e não revelações como acontece nos dias de hoje, alguém que ora em língua, e então, ou ele mesmo, ou outro interpreta uma revelação para Igreja, o dom de e profecia é outro dom.
Os relatos bíblicos em que apareceram línguas e no ensino de Paulo aos Coríntios é que eram feitos louvores a Deus.

...Como os ouvimos falar em nossas próprias línguas as grandezas de Deus?” At 2.11b
pois os ouviam falando em línguas e engrandecendo a Deus. Então, perguntou Pedro:” At 10.46
E, se tu bendisseres apenas em espírito, como dirá o indouto o amém depois da tua ação de graças? Visto que não entende o que dizes” (I Co 14.16)


C         No contexto de cada acontecimento

1          Atos 2.6-11

Natureza das línguas: humanas. Os judeus entendiam ouviam os discípulos falarem em suas próprias línguas (At 2.7-11).

E, correndo aquela voz, ajuntou-se uma multidão e estava confusa, porque cada um os ouvia falar na sua própria língua. Estavam, pois, atônitos e se admiravam, dizendo: Vede! Não são, porventura, galileus todos esses que aí estão falando? E como os ouvimos falar, cada um em nossa própria língua materna? Somos partos, medos, elamitas e os naturais da Mesopotâmia, Judéia, Capadócia, Ponto e Ásia, da Frígia, da Panfília, do Egito e das regiões da Líbia, nas imediações de Cirene, e romanos que aqui residem, tanto judeus como prosélitos, cretenses e arábios. Como os ouvimos falar em nossas próprias línguas as grandezas de Deus?” (At 7-11).

            Observem que no contexto havia judeus de pelo menos quatorze nações, e eles ouvim os galileus louvando a Deus em suas línguas maternas, conforme o Espírito Santo concedia o dom aos discípulos (2.4).


2          Atos 10.44-46

Natureza das línguas: humanas

            Ainda Pedro falava estas coisas quando caiu o Espírito Santo sobre todos os que ouviam a palavra. E os fiéis que eram da circuncisão (Judeus), que vieram com Pedro, admiraram-se, porque também sobre os gentios foi derramado o dom do Espírito Santo; pois os ouviam falando em línguas e engrandecendo a Deus...:

            Observem que os judeus que estavam com Pedro, entendiam os gentios engrandecendo a
Deus na suas línguas.


3          As línguas em Corinto

            Natureza da línguas: humanas.
            Vemos que as línguas de Coríntios são humanas por três motivos.

1.      A palavra grega para interpretação (14.26,28) hermeneiane`rmhnei,an”, é uma palavra usada para tradução de idioma estrangeiro.
2.      Pela analogia entre línguas e idiomas estrangeiros reais nos versículos (14. 10,11).
3.      Pela comparação de línguas com o idioma estrangeiro real dos assírios nos versículos (14.21,22).

            Na lei está escrito: Falarei a este povo por homens de outras línguas e por lábios de outros povos, e nem assim me ouvirão, diz o Senhor. De sorte que as línguas são um sinal, não para os fiéis, mas para os infiéis; e a profecia não é sinal para os infiéis, mas para os fiéis.


Até o próximo post


[1] MAC’ARTHUR. John. Os carismáticos. Editora Fiel. São José dos Campos: Editora Fiel, 2002,  Cap. 14.
[2] Ver. GLOSSOLÁLIA, http://pt.wikipedia.org/wiki/Dom_de_l%C3%ADnguas.
[3] MAC’ARTHUR. John. Os carismáticos. Editora Fiel:  São José dos Campos: Editora Fiel, 2002,  p. 171.
[4] BROWN, Colin, COENEN, Lothar. (orgs). Dicionário internacional de Teologia do Novo Testamento. 2.ed. São Paulo: Vida Nova, 2000, p. 1507.
[5] Ibid., p.1508.
[6] SCHUERTLEY, Brian. Falar em línguas. www.monergismo.com.br. p. 1.